CACOS
  

Para ler, sentir e pensar com o poeta Drummond...

 

Mãos Dadas

Carlos Drummond de Andrade

 

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.



Escrito por Romário Gomes às 18h30
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Agradeço a Eliene a generosidade em conceder-me este título para o CACOS.
E, para não quebrar a seqüência, ofereço-o ao Lambuja de Regina Pouchain, ao Poema/Processo de Moacy Cirne e ao Espartilho de Eme de Maria Maria.
 


Escrito por Romário Gomes às 15h01
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nonada. algures. fluvial.

verbo. luz. sertão.

suor. história. emoção.

como pensar São José?



Escrito por Romário Gomes às 13h46
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Foto: Natalpress

 

QUALQUER TODO

Para Moacy Cirne

 

Nem todo poema radical

é um soneto azul

processado ao som de todas as águas correntes do Seridó.

 

Qualquer poema

Qualquer e todo poema

não é...

docemente especial

 

Nem todo nem todo poeta vê tanto

diz tanto.



Escrito por Romário Gomes às 20h38
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  1. tenho um poema anarquista
  2. vigarista
  3. dadaísta
  4. pra oferecer


Escrito por Romário Gomes às 20h39
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HERANÇA

Sou moldável desde pequeno!

 

Moldaram-me cristão católico

guerreiro de Cristo

na Cruzada Eucarística

 

Tanto me quis anjo

quanto santo

transfigurado em branco transcendental

 

Sonhei ser mago

bruxo do bem

criatura alada

 

Moldei-me homem humano

meio místico

meio ousado

muito sonhador

 

Sobrou-me de tudo um pouco:

um tanto de crença

um quê de poesia

um quanto de convicção.



Escrito por Romário Gomes às 10h18
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Âncora

 

Solidão. o-que-morre, em vão espera

     Miguel Cirilo

 

 

 

Sozinhozinhos

O grilo

O homem

 

No escuro e perdidos

O grilo

O homem

 

O-que-canta não desespera

Esperansia

 

 

Ana de Santana

in Em nome da pele (2008)

João Pessoa/PB



Escrito por Romário Gomes às 14h38
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Esta(s) frase(s), tantas vezes publicada(s) no jornal do PT de nossa cidade em 2003/2004, continua(m) válida(s) para São José do Seridó:

 

“No caminho da opressão nada mais que a obediência, mediocridade e submissão. Autonomia e consciência só para quem tem liberdade de expressão”.

(Jorge Studarte)

 



Escrito por Romário Gomes às 16h28
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A RADICALIDADE NECESSÁRIA
Moacy Cirne
[ in Balaio, n° 894, 15/10/1996 ]

A mesmice - em arte, literatura, política, relações humanas - não nos interessa. A mesmice - lugar privilegiado para os videotários e patriotários [cf. José Paulo Paes] - corrói qualquer visão de mundo mais criativa, qualquer visão de mundo voltada para a pulsação da própria vida. E viver é saber ousar, é saber amar, é saber criar, é saber lutar. É saber experimentar. É saber sonhar. A mesmice só interessa àqueles que aceitam, religiosa e/ou politicamente, a ditadura da mídia, as facilidades do computador, a ideologia da esperteza, as mentiras do neoliberalismo. A mesmice só interessa àqueles que não apostam na dimensão cósmica do ser humano. Por isso defendemos o saber militante: o saber que se constrói a partir de uma radicalidade necessária - a radicalidade dos que procuram sonhar, procuram experimentar, procuram lutar, procuram criar, procuram amar, procuram ousar. Criticamente.

Fonte: BALAIO PORRETA 1986



Escrito por Romário Gomes às 08h14
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deusa

dos meus sonhos mais irreais!

Quanto mais sonho

Quanto mais penso

Quanto mais a vislumbro

em fantasia

mais parece ileso

meu velho desejo

de sua companhia.



Escrito por Romário Gomes às 22h11
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POVO FELIZ


como uma onda no mar...
partindo de uma foto tirada do blog de Anna Jailma
 
 
                     a palavra atinge o cerne da carne?
 


Escrito por Romário Gomes às 09h03
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   TURISMO...

 

                  Igreja do Rosário - Acari/RN

 

Neste final de semana (dias 21 e 22 de junho) participamos do I Encontro de Turismo Cultural do Seridó em Acari/RN. Foi um momento oportuno para refletirmos, inclusive, sobre a cultura seridoense enquanto atrativo turístico (com as devidas preocupações com a questão cultural), a partir do seu patrimônio material e imaterial. E, conscientes de nossa diversidade, guardar as palavras do Prof. Muirakytan Macedo: “seridoenses diversos”, “de todas as cores”, “de todos os credos”, “todos são sujeitos da história”. Ou ainda, no dizer da Profª. Cláudia Lago, “os seridoenses são atores do seu espetáculo cultural”.

 



Escrito por Romário Gomes às 19h23
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   SIDERAL...

 

No dia dos namorados, a lua crescente em alta, um poema que evoca imagens de amor...

 

Gosto da lua crescente e também da cheia

Tenho uma dúvida efervescente

Qual a que me prende como teia?

Uma rede, me lembra a crescente

Mas a lua cheia é beleza que encandeia...

(Anna Jailma)



Escrito por Romário Gomes às 12h00
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Não é o rio em mim

que parou de correr

há tantas águas

há tanta pedra a contornar

fico sem saber

qual a lonjura do mar.

 

O sertanejo-menino

de igual modo

semi-desértico

ora marginal,

bem-educado

ou anarquista

pára,

esquiva-se:

 

 – Nem todo momento lhe é transcendental.

Escrito por Romário Gomes às 21h08
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DESDOBRAMENTOS DA QUADRILHA

 

Só que J. Pinto Fernandes amado por Lili

amava Marina

que ama alguém

eu não sei quem

nem de qual história é

nem quem a autocontará



Escrito por Romário Gomes às 08h05
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